Comprar uma Renault Master usada exige atenção especial ao conjunto mecânico. Mais do que analisar quilometragem, preço e estado da carroceria, é importante saber qual motor está instalado no veículo e como ele foi utilizado ao longo dos anos.
A história da Master no Brasil passa principalmente por três famílias de motores diesel: Sofim, G9U e M9T. Cada uma representa uma fase diferente da van e possui características que devem ser consideradas na hora da compra.
Motor Sofim: simplicidade mecânica
O que observar nas Master 2.8
Nas primeiras gerações da Master vendidas no Brasil, o motor Sofim 2.8 diesel se destaca por uma construção mais simples quando comparado aos propulsores mais modernos.
Em uma unidade usada, vale verificar principalmente vazamentos, pressão de óleo, sistema de arrefecimento, fumaça pelo escapamento e ruídos internos. Também é importante descobrir se o motor já passou por retífica ou substituição de componentes.
Por serem veículos que frequentemente trabalharam com carga elevada, o histórico de manutenção pode revelar muito mais sobre a condição do motor do que a quilometragem indicada no painel.
G9U 2.5 dCi: mais tecnologia e mais pontos de atenção
Injeção, turbo e arrefecimento
O G9U 2.5 dCi marcou uma evolução importante na Master. O motor passou a oferecer uma combinação mais moderna de desempenho e eficiência, mas também trouxe sistemas que exigem maior cuidado durante a manutenção.
Na compra de uma Master equipada com G9U, observe o funcionamento da injeção, turbo, sistema de arrefecimento e lubrificação. Dificuldade de partida, fumaça excessiva, perda de potência, consumo elevado de óleo e ruídos anormais são sinais que justificam uma avaliação mecânica mais profunda.
M9T 2.3 dCi: a nova geração
O motor que equipou as Master mais recentes
A terceira geração da Master trouxe o M9T 2.3 dCi, motor que passou a equipar grande parte das versões comercializadas no Brasil. Ao longo dos anos, recebeu diferentes calibrações e atualizações, incluindo versões mais potentes e sistemas de controle de emissões mais sofisticados.
Nas unidades usadas, é importante verificar injeção Common Rail, turbo, intercooler, sistema de arrefecimento, lubrificação e, nas versões equipadas, DPF e sistema de redução de emissões.
O histórico de manutenção é decisivo
No M9T, não basta procurar a menor quilometragem. Trocas de óleo fora do prazo, combustível de baixa qualidade, uso severo e manutenção inadequada podem acelerar o desgaste do turbo, sistema de injeção e componentes internos.
O que verificar antes de comprar uma Master?
Faça uma avaliação completa
Independentemente do motor, procure uma oficina especializada em diesel antes de fechar negócio. Um bom diagnóstico deve avaliar injeção eletrônica, pressão do sistema, turbo, arrefecimento, vazamentos, compressão quando necessário e possíveis falhas registradas na ECU.
A Master é um veículo de trabalho e pode acumular centenas de milhares de quilômetros. Por isso, uma unidade com manutenção comprovada pode ser uma compra mais interessante do que outra com menor quilometragem, mas histórico desconhecido.